O sucesso profissional de um enfermeiro intensivista

As instituições de saúde seguem em um trabalho crescente para uma efetiva assistência a pacientes em situações cada vez mais críticas, com a necessidade de respostas individuais e complexas. Os enfermeiros têm assumido os cuidados com os pacientes mais graves, não deixando de realizar suas atividades de organização e coordenação dos serviços, desenvolvendo, de forma compartilhada, atividades assistenciais e gerenciais.

Como em todas as áreas possíveis ao enfermeiro, a Enfermagem em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) exige desse profissional uma atuação multidisciplinar. Trata-se de um enfermeiro que necessita de capacitação diferenciada para justamente lidar com os pacientes em estado crítico, com alto grau de complexidade, ao mesmo tempo em que precisa lidar com inovações tecnológicas e especificidades no atendimento.

Proatividade, conexão e atenção a tudo que está ocorrendo em seu redor são as máximas para o desenrolar de um trabalho com qualidade. Em geral, o enfermeiro deve ser um profissional apto a cuidar de todos os pacientes, independentemente do contexto clínico ou do diagnóstico. O cuidado de pacientes internados em UTI traz, constantemente, a relação vida e morte. Isso requer dos profissionais e suas equipes capacidade emocional para si e também para oferecer suporte aos familiares que aguardam notícias.

O papel do enfermeiro em UTI inclui a obtenção da história do paciente, a realização de exames físicos, a execução de tratamentos, o aconselhamento e ensino voltado para a manutenção da saúde e a orientação dos doentes para a continuidade do tratamento. É imprescindível associar à fundamentação teórica o trabalho, o discernimento, a iniciativa, a habilidade de ensino, a maturidade e a estabilidade emocional.

Estudo da doutora em Enfermagem e professora da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto, ligada à Universidade de São Paulo (USP), Silvia Helena Camelo, foi publicado pela Revista Latino-Americana de Enfermagem e destacou as competências profissionais do enfermeiro para atuar em UTI. Segundo o artigo, o enfermeiro tem de saber gerenciar o cuidado de enfermagem, implementar o cuidado de enfermagem de maior complexidade, estar capacitado para a tomada de decisões, possuir habilidades de liderança e comunicação, realizar educação continuada e permanente e gerenciar recursos humanos e materiais.

Pelas normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), possuir uma especialização é caráter obrigatório para o trabalho em uma UTI, bem como treinamentos e atualizações específicas da área. Quando um paciente dá entrada em uma UTI, geralmente ele está no pior momento da doença ou de seu estado alterado de saúde. Após a entrada, o enfermeiro trabalhará para estabilizar o quadro desse paciente, submetendo-o à monitorização dos sinais vitais – respiração, pulso, pressão arterial, temperatura e dor. Intercorrências frequentes, como uma parada cardiorrespiratória, exigem preparo e agilidade da equipe. Enfermeiros intensivistas já utilizam um protocolo de atendimento, que é responsável por manter a eficiência e evitar surpresas nesses momentos.

O jornalismo do PGE – Instituto de Pós-Graduação em Enfermagem conversou com o enfermeiro especialista em UTI, mestre em Terapia Intensiva, professor universitário e empreendedor, André Gustavo Rodrigues, de Olinda (PE), onde começou a carreira há 13 anos, ainda como técnico de enfermagem.

Com passagem por importantes hospitais do Pernambuco, e após prestar concurso público oito vezes – sendo reprovado nos cinco primeiros, Rodrigues fala à reportagem sobre persistência, a importância do conhecimento científico, a necessidade de uma postura profissional e como é feliz e realizado com a enfermagem. Leia a seguir.

PGE – Como foi a sua formação?

André Gustavo Rodrigues - Comecei minha carreira como técnico em enfermagem (2004), me graduei em Enfermagem pelo Centro Universitário Maurício de Nassau (2009), tenho especialização em UTI (2012) e hoje sou mestre em terapia intensiva.

PGE – E sua trajetória profissional?

André Gustavo Rodrigues - Atuei em dois grandes hospitais do Recife, o Real hospital Português de Beneficência em Pernambuco, onde trabalhei Unidade de Recuperação Cardiotorácica (URCT) - é uma UTI que recebe pacientes com cirurgia cardíaca, inclusive transplante cardíaco. Posteriormente atuei na UTI coronária do Hospital Esperança, que hoje faz parte da Rede D’or.

Sou uma pessoa muito sociável, extrovertida, isso abriu muitas portas para mim na profissão, sou assim não só com os outros profissionais, como também com os pacientes, e essa interação com os pacientes abre portas.

Toda a minha trajetória foi em UTI e cardiologia, depois que passei em concursos públicos fui trabalhar no Hospital Agamenon Magalhães – ligado à Secretaria de Estado de Saúde do Pernambuco. Fui para a UTI coronária, em seguida fui para o Pronto-Socorro Cardiológico Universitário de Pernambuco Professor Luiz Tavares (Procape), onde estou até hoje e onde fui trabalhar na hemodinâmica.

Passei na URCT de lá também. Todos os setores em que trabalhei como técnico eram UTI Cardíaca e foi quando resolvi fazer uma pós-graduação na área. Eu já tinha uma experiencia técnica grande e resolvi me especializar em UTI.

PGE - De que maneira o seu perfil o levou à ascensão profissional?

André Gustavo Rodrigues - Hoje muitas pessoas se formam e acham que só se formando e tendo um título de especialista já conseguirão uma fatia do mercado. Eu enxerguei que isso só não bastava. Primeiro, você tem que ter um excelente conhecimento, tem que se preparar muito bem.

A segunda parte, que também é tão importante quanto a primeira, é se fazer reconhecer para o mercado, fazer com que o mercado veja você, porque existem pessoas que são extremamente qualificadas, mas não se mostram para o mercado, ficam na zona de conforto ou são introspectivos, e o mercado até tenta visualizar um profissional com aquele perfil, mas não consegue enxergá-lo. Isso faz uma diferença gigantesca.

PGE - O que um profissional precisa ter para seguir na carreira de enfermagem intensiva?

André Gustavo Rodrigues - Estamos falando sobre enfermagem intensiva, mas na enfermagem em geral, duas coisas que eu falo nas minhas aulas e palestras são que o profissional precisa ter conhecimento científico e postura profissional. Você tem que conhecer, saber.

Na enfermagem intensiva, o enfermeiro tem que ser um profissional diferenciado em conhecimento científico. Ele tem que saber fazer um exame físico detalhado, item por item, saber as intervenções, os diagnósticos de enfermagem e as prescrições corretas para que o paciente possa ter uma evolução. Isso é imprescindível. Sobre postura profissional, digo que o enfermeiro tem que saber se colocar e se fazer ouvir, voz firme, não baixar a cabeça para nenhum outro profissional, assim como não ser arrogante nem prepotente. É só para mostrar: eu estou aqui!

PGE - Você tem algum grande sonho ou desejo de realização profissional no momento?

André Gustavo Rodrigues - Eu estou realizando. Graças a Deus e com muito trabalho, muita dedicação, muito empenho e insistência, estou realizando meu grande sonho de ter o meu espaço, um espaço de cursos voltados para a área de saúde, o carro-chefe é enfermagem voltada para terapia intensiva.

Estou levando os alunos, ministrando aulas teórico-práticas, fazendo situações realísticas com manequins e levando-os também para visitas técnicas a hospitais por meio de parcerias. Isso nós começamos bem recentemente, neste mês, ou seja, o meu grande sonho profissional começou a se realizar. Em paralelo, também pelo nome no mercado que eu já conquistei, pelo conhecimento que tenho hoje, pelo network, pelas pessoas que têm acesso a mim, eu consigo fazer ações sociais ajudando pessoas, instituições carentes, comunidades, sem precisar de grandes recursos, só por contatos e ação. Agir, levantar e fazer acontecer.

PGE – Quais foram as suas principais motivações para obter êxito em sua carreira profissional?

André Gustavo Rodrigues - Barreiras se levantaram demais, e eu falo isso também incentivando meus alunos. Se eles esperam apenas que eu fale que enfermagem são flores e amor, estarão errados. Eu sou apaixonado pela enfermagem, eu sou entusiasta, eu falo do lado positivo, mas eu não omito as partes negativas, e é necessário entender que existe o lado negativo, que são as barreiras que vão se levantar. Porém, se você estagnar diante de uma dessas barreiras, você não vai conseguir ultrapassá-la e continuará naquela situação o resto da vida. Eu prestei vários concursos, fui reprovado em vários, pensei em desistir, mas não o fiz, e consegui êxito. Vale persistir para alcançar seus objetivos.

PGE – Você se considera um profissional de sucesso?

André Gustavo Rodrigues - Extremamente de sucesso. Eu vim de uma família simples e humilde, e isso continua na minha essência, no meu coração, como técnico de enfermagem. Hoje eu sou professor universitário, professor de várias pós-graduações, agora tenho a minha empresa e faço tudo isso com amor, carinho, dedicação e prazer e, lógico, buscando sempre a melhor remuneração para mim e para os meus próximos e para aqueles que pretendem ter crescimento na enfermagem.

Eu tento desmistificar essa ideia de ‘enfermagem por amor’, ‘a arte do cuidar’ e sempre é doação, doação, que o profissional se doe a qualquer custo. Não! Ele tem que fazer com amor e não por amor, existe uma diferença gritante: é por amor inclusive a ele mesmo, exigindo remuneração adequada ao seu nível intelectual e científico.

PGE – Quais as suas principais conquistas?

André Gustavo Rodrigues - Era um sonho ser professor universitário, professor de uma pós-graduação, eu sempre tive amor pela docência. Hoje posso dizer, abri minha empresa na área de saúde. A meta agora é conquistar o espaço físico, crescer, ter uma sala para aulas e um auditório para eventos, depois cinco salas para aulas e um auditório maior para eventos, e assim sucessivamente.

PGE – Quais seus principais desafios profissionais?

André Gustavo Rodrigues - Sempre querer ser melhor do que eu mesmo e nunca me comparar com outras pessoas. Essa concorrência que não traz saúde não adianta, não leva a nada. Agora, você sempre querer ser melhor do que você mesmo, crescendo em conhecimento, isso fará você chegar aonde quer. Estudo e dedicação não vão lhe atrasar, pelo contrário, podem até demorar, mas vai chegar um ponto em que todo esse acúmulo de dedicação aos estudos fará com que o resultado venha até você. Dedicação aos estudos é fundamental para quem está na enfermagem.

PGE – Quais dicas você dá para quem está começando no mercado?

André Gustavo Rodrigues - Você deve entender a grande concorrência que os outros profissionais têm. Os outros profissionais, às vezes, não entendem quando você quer crescer e que você chegue a outro nível de conhecimento e que quer colocar em prática esse conhecimento adquirido.

A maioria acha que você está querendo aparecer, que você está querendo ser diferenciado, que você está se achando, por mais que você mantenha uma humildade, um acesso e se coloque à disposição, mas alguns entendem esse outro lado. Aí é você não se deixar abater, porque essas coisas vão acontecer, quanto mais você estuda e coloca em prática o conhecimento adquirido, mais se levantarão para lhe criticar, lhe diminuir de qualquer forma que seja, contudo, se você estiver focado nos seus objetivos, nenhum desses comentários apagará seu sonho. Nenhum.

PGE – Para finalizar, que considerações você gostaria de acrescentar?

André Gustavo Rodrigues - Deixo o que sempre falo para os meus alunos, como já citei durante a entrevista, se você tiver essas duas características você será respeitado por qualquer pessoa, em qualquer situação.

A primeira é conhecimento científico. Se você sabe, domina todo conteúdo relacionado à sua área de atuação, porque a saúde é extremamente vasta, mas naquele setor que você está atuando, se dedique àquele setor, a tudo que envolve o setor, domine o assunto que está em volta. No meu caso, na terapia intensiva é você saber lidar com todos os tipos de monitores, ventiladores mecânicos, bombas de infusão, equipamentos diversos, protocolos atualizados. As pessoas não param para falar para você, falam para terceiros e estes terceiros comentam com você, como eles te admiram pelo conhecimento científico que você tem.

A segunda característica é você ter a postura profissional, é você saber falar, você olhar todos nos olhos, não se curvar, não ser subserviente. Ser simples e humilde é uma coisa, ser subserviente é diferente. Outras categorias profissionais acham, na sua essência, que a enfermagem tem que ser subserviente a elas o tempo todo. Quando você demonstra que você tem autonomia como profissional, que você tem postura profissional, que você não se curva, pelo contrário, você não quer ser maior do que ninguém, estando no mesmo nível as pessoas passam a te respeitar mais. Quando eu comecei a demonstrar conhecimento científico e assumir essa postura, eu comecei a enxergar que todos mudavam o olhar sobre mim, agora com respeito: os subordinados, as equipes de técnicos e enfermeiros, e os superiores, gerentes, supervisores e outros profissionais de outras categorias.

Tags: Carreira Enfermagem, UTI, enfermeiro intensivista

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