Covid-19: cuidadores redobram atenção para preservar idosos

Covid-19: cuidadores redobram atenção para preservar idosos

Indispensáveis para o atendimento dos idosos que apresentam limitações devido ao avanço da idade ou alguma doença, os cuidadores têm tomado atitudes adicionais durante a pandemia para evitar a contaminação de seus pacientes ou familiares. Técnico de enfermagem revela restrições a trabalhos extras e dedicação exclusiva, sem contar reforço nos hábitos de higiene.

Cuidador há seis anos, o técnico de enfermagem Lazaro Melo relata que uma das coisas que mudaram durante a pandemia é que a empresa em que trabalha recomendou que os funcionários não façam trabalhos extras e restrinjam os cuidados a apenas um idoso. Em entrevista à Folha, Melo conta que sempre tomava banho ao chegar na casa do paciente e lavava frequentemente as mãos, mas agora os cuidados foram redobrados, como o de ter um par de calçados apenas para ser usado dentro da residência. O banho e troca de roupa ao entrar na casa é um hábito relatado por todos os profissionais ouvidos pelo jornal.

“Já somos paranoicos com os cuidados de higiene necessários. Agora, é como se eu tomasse banho de álcool em gel”, revelou a cuidadora Aline Sampaio, que no início da pandemia teve crises de ansiedade. Quando volta para casa, ela disse que não abraça mais a mãe, fica dentro do quarto na maior parte do tempo e as duas evitam se aproximar. A cuidadora contou ainda que sua rotina mudou desde o início da pandemia. Antes, ela trabalhava 24 horas e folgava nas 24 horas seguintes; agora, para evitar o entra e sai da casa, o turno passou para 48 horas e descanso nas outras 48 horas.

Aline relata que uma de suas pacientes consegue andar sozinha, mas tem problema de audição. Por isso, para evitar o toque, ela usa máscara e dá as coordenadas falando mais alto. Ela conta que os filhos de uma de suas pacientes pedem para que ela evite que a mãe ouça noticiários, para não assustá-la.

Outra mudança provocada pela crise do novo coronavírus foi a proibição das visitas das famílias nas casas de repouso. Como alguns idosos não sabem o que está, de fato, acontecendo no mundo, acabam se sentindo abandonados. “Se até a gente que é lúcido algumas horas perde a paciência com o isolamento, imagina para eles que moram longe dos familiares”, salientou Ana Carla Silvestre, que trabalha em uma casa de repouso em Natal (RN) e está no ramo há 12 anos.

Ana cuida da mesma paciente há cinco anos e estava terminando o curso de técnica de enfermagem. Porém, as aulas foram interrompidas devido à pandemia do novo coronavírus. Em casa, ela mora com o filho e com a irmã e afirma que eles também têm respeitado a quarentena. Ela contou que, onde trabalha, é recomendado que o profissional falte caso apresente qualquer sintoma, mesmo que dor de cabeça. “É até uma questão de respeito com as pessoas que trabalham aqui”, revelou.

Dúvidas geraram até cartilha da Fiocruz

O geriatra do hospital Oswaldo Cruz Sergio Colenci recebe muitas dúvidas de filhos de idosos que dependem de cuidadores sobre como proceder durante a pandemia. “Muitos optaram por assumir o papel ou diminuir a equipe de cuidados, o que, claro, gerou uma sobrecarga física e psíquica”, afirmou o médico à Folha.

Ele diz que suas recomendações são, basicamente, lavagem de mãos e antebraço, banho sempre que possível, troca de roupa e uso de máscara, pelo menos, quando o profissional estiver no mesmo cômodo que o paciente. Outra indicação é que os funcionários evitem o uso de acessórios, como colares, brincos, anéis, piercings e relógios, pois, segundo o médico, são difíceis de higienizar.

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A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) elaborou uma cartilha com orientações a cuidadores de pessoas idosas durante a pandemia. Nela há recomendações para que os profissionais usem os cabelos presos, além de orientar que o funcionário utilize o transporte público fora dos horários de pico.

Para familiares de alguns dos pacientes do geriatra do HCor, Daniel Apolinário, a entrada e saída de cuidadores foi a grande preocupação. “Houve famílias que propuseram que os cuidadores passassem a morar lá, mas isso, claramente, não deu certo. A pessoa precisa voltar para sua casa”, contou o médico.

Ele lembra um dos casos mais extremos que soube. O filho de um idoso tentou implementar “o que ele chamou de Arca de Noé, ou seja, ninguém sairia da casa e nem entraria”. A medida, evidentemente, não deu certo. “A pessoa precisa entrar e sair, não tem jeito. Não há outra possibilidade de rotina”, disse Apolinário, indicando outras atitudes aconselháveis, como deixar o ambiente mais arejado, com janelas abertas sempre que possível.

Para os idosos que precisam de cuidados mais íntimos, o geriatra do HCor indica o uso de luvas e aventais descartáveis. Ele também cita que, caso o funcionário tenha qualquer sintoma, não deve ir para o trabalho. “Isso é um grande problema para as famílias que não costumam ter um segundo cuidador, mas não dá para flexibilizar, é preciso ser muito rigoroso”, frisou.

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