Sem qualificação o enfermeiro pode ficar fora do mercado

Será que um curso de pós-graduação pode promover uma melhoria no salário dos enfermeiros? Segundo alguns especialistas a resposta a essa pergunta é “Sim, mas nem sempre”! Isso porque esses cursos são mais do que um simples upgrade nos vencimentos. A pós-graduação parece ser uma condição sine qua non para que os profissionais entrem em qualquer instituição para trabalhar! O significado para isso é que sem uma qualificação, geralmente, o profissional acabando ficando fora do mercado de trabalho, dando lugar aos pós-graduados!

A enfermeira do setor de padronização e compras do Hospital da Polícia Militar do Estado de São Paulo, Viviane dos Santos, é bacharel em enfermagem e obstetrícia, especialista em endoscopia e pós-graduada em cardiologia. Ela acredita que uma especialização em enfermagem ajuda a impulsionar a carreira.

“Há, aproximadamente, 15 anos, a grande maioria dos enfermeiros era generalista, desempenhando bem suas funções nas especialidades, devido à experiência adquirida no dia a dia. Então, houve o crescimento da exigência da especialização na vaga ocupada, assim como da procura e autocobrança da categoria”, relembra Viviane.

Para a enfermeira de um dos maiores hospitais particulares de São Paulo (SP), Tatiana Silva, muitas instituições adotam como exigência para as suas contratações o curso de pós-graduação. A qualificação é um diferencial, pois torna o profissional mais capacitado para algumas funções ou áreas específicas, tais como unidade de terapia intensiva ou pronto-socorro, por exemplo.

“Atualmente, o mercado de trabalho não exige somente o curso de especialização, mas exige também experiência na área. Fato que acaba prejudicando muitos estudantes recém-formados, que mesmo possuindo um curso de especialização, por não possuírem experiência, acabam tendo uma dificuldade maior no mercado de trabalho”, ressalta a profissional.

A gerente de Enfermagem do Hospital Sírio Libanês, Audry Elizabeth dos Santos, afirma que, na instituição em que trabalha a pós-graduação em várias especialidades já faz parte da realidade de 95% dos enfermeiros. “A pós-graduação em área de gestão é procurada por aqueles que realmente estão caminhando na carreira de gestão ou pretendem entrar nela e estão se preparando para isso. Esse é um conhecimento que a pessoa adquire na sua trilha de aprendizagem e ajuda também na gestão do próprio trabalho (no caso assistencial)”. Ela diz que o salário será aumentado se a pessoa for promovida em um plano de carreira interno, que será avaliado não só pela pós-graduação, mas por competências necessárias ao cargo. 

Prioridade é para a pós-graduação

Já a enfermeira Auditora, Regina Maria Contadin, o mercado acaba não remunerando a mais o profissional com especialização, mas prioriza aqueles com pós-graduação no momento da contratação: “Conhecimento específico é fundamental para o profissional de saúde, principalmente para os enfermeiros. Existe cada vez mais exigência por especialização”.

Viviane acredita que o especialista deveria ter o salário diferenciado como forma de reconhecimento e valorização do investimento profissional. O aumento percentual do salário do profissional deveria ser de, no mínimo, 20% a 25%, incentivando ainda mais o investimento permanente na área escolhida. “O fato é que, sem sombra de dúvida, os grandes hospitais e centros de referência em saúde selecionam e buscam profissionais especialistas e pós-graduados, montando equipes multidisciplinares diferenciadas”, comenta ela.

Tatiana concorda: “A pós-graduação consiste, hoje em dia, em um pré-requisito para as vagas de enfermagem. É um critério de seleção. Muitos hospitais já não convocam candidatos sem um curso para competirem por uma vaga”.

A coordenadora da Câmara Técnica de Educação e Pesquisa do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), Dorisdaia Humerez, vai além. Ela afirma que o curso de especialização seria recomendado para quem busca uma atualização rápida e focada em suas necessidades atuais de trabalho. “Em um cenário cada vez mais competitivo, e em meio a uma crise, as empresas mostram-se cada vez mais exigentes em seus processos seletivos. Há diversos candidatos com perfis semelhantes, experiências equivalentes e com a mesma formação. Nessa hora, um item pode fazer toda a diferença entre ser ou não selecionado é a pós-graduação”, constata.

Já Audry destaca que é preciso ter foco: “Muitos profissionais querem se qualificar com uma, duas ou até três pós-graduações. Nem sempre o desempenho dessas pessoas está relacionado a este currículo. Também se percebe que os cursos não interagem, ou seja, o profissional faz vários cursos sem um foco”. Ela acredita que vale a pena investir em um curso específico e de instituições conceituadas. Como em São Paulo (SP) o mercado é bem competitivo, muitos enfermeiros buscam melhorar o currículo sem ter uma visão de onde querem chegar. “Isso fica claro em dinâmicas de seleção em que os profissionais não sabem explicar o que realmente querem ou que gostam”, analisa ela.  

Cursos mais procurados

Para o presidente do Conselho Regional de Enfermagem do Acre (Coren-AC), o enfermeiro Areski de Assis Peniche, os cursos de pós-graduação mais procurados, geralmente, são os que chamam mais atenção, do ponto de vista do glamour ou do imaginário do profissional, quer seja pelo uniforme que se usa, pelos processos de trabalho diferenciados ou mesmo pelo uso de determinadas tecnologias. Ele é especialista em Administração Hospitalar e Gestão de Sistemas de Saúde e em Gestão do Trabalho e da Educação da Saúde.

“Acadêmicos se encantam com áreas como a enfermagem em urgência e emergência pela adrenalina ou pela possibilidade de trabalhar em ambulância e atuar em cenários considerados empolgantes”, fala Peniche. Ele ressalta, ainda, a enfermagem em UTI (por conta do ambiente controlado e pelas diversas tecnologias empregadas), a enfermagem aeroespacial (também confundida com aeromédica, por conta da excentricidade de se cuidar de pacientes em pleno voo de aeronave), a enfermagem em cardiologia e hemodinâmica (semelhantemente à enfermagem em UTI, por conta das tecnologias e do ambiente controlado).

Audry dá destaque especial aos temas ligados à Gestão em Saúde ou Administração Hospitalar (em regime de especialização ou Residência). “Os MBA também estão complementando esse conhecimento necessário. Percebe-se que muito profissionais mais novos buscam cursos de gestão, auditoria de contas e enfermagem do trabalho como opção futura de trabalhar em uma carga horária de segunda a sexta feira. Este é o foco da nova geração”.

Ela afirma que as Residências Multiprofissional e Uniprofissional em Saúde levam ao título de especialista e são uma boa opção para recém-formados. “Há uma bolsa para custeio e são dois anos de cenário 80% prático e 20% teórico. Já o mestrado e o doutorado acadêmico são importantes para quem gosta da área de ensino”, fala Audry.

Dorisdaia comenta que, apesar de o curso de graduação em Enfermagem ser integralizado em cinco anos e, no mínimo, quatro mil horas, quase todas as áreas exigem a pós-graduação lato sensu. “As áreas são extremamente variadas dependendo do local que o profissional irá atuar. Entretanto, a enfermagem obstétrica, em unidades de terapia intensiva, tanto adulto como pediátrica ou neonatal, pronto atendimento e enfermagem em saúde mental são as quase obrigatórias”.

Atenção às demandas

Peniche afirma que é fundamental o profissional estar atento às áreas de atuação que estão sendo demandadas por instituições públicas ou privadas e observar quais as tendências do mercado, especialmente no que tange ao incremento de tecnologias em saúde.

Ele exemplifica, mencionando que, na década de 1990, foi lançado no Brasil o Programa de Agentes Comunitários de Saúde (PACS) e o Programa Saúde da Família (PSF), que contemplavam enfermeiros e técnicos de enfermagem em suas equipes. “Os profissionais que se especializaram em Saúde da Família ou Saúde Pública saíram na frente dos demais. O mesmo aconteceu no início dos anos 2000, quando foram publicadas várias Portarias do Ministério da Saúde organizando os serviços de Urgência e Emergência no País. Com isso, quem se antecipou e fez uma especialização na área saiu na frente dos demais”, relembra ele.

Viviane acredita que os profissionais querem se qualificar, principalmente quando há incentivo da instituição em que atuam: “A empresa diz, indiretamente, a esse profissional que se o papel dele é bem desempenhado, ele merece o investimento, e todos crescem juntos na excelência. Ambos os lados ganham com a especialização”. Para ela, a enfermagem ganhou seu espaço e voz quando começou a se especializar.  

Sem falar que os grandes hospitais e centros de referência buscam diferenciais nos profissionais de maneira que possam atender às exigências do mercado de trabalho. “Além da graduação, a pós-graduação deve estar alinhada às demandas do mercado de trabalho. E outros atributos também devem ser evidenciados”, fala Peniche, que dá um exemplo de uma situação hipotética que pode ser considerado ímpar: existe um grande quantitativo de chineses (e descendentes) bem-sucedidos nos negócios vivendo na cidade de São Paulo. Provavelmente esses homens e mulheres sentem dificuldade em se comunicar quando o assunto é saúde e doença. “Será que um hospital que queira absorver essa clientela não desejaria contratar um enfermeiro que fale mandarim?”, indaga ele.

Vale a pena investir

Apesar de o fato de ter um conhecimento mais específico de determinadas áreas auxiliar no processo de trabalho do profissional de enfermagem, tornando-o mais capacitado para algumas funções, Tatiana considera os cursos extremamente caros, visto que não há um salário-base para o profissional de enfermagem.

Já Peniche discorda: “Quando se fala de pós-graduação latu senso, pode se dizer que os cursos não são caros! Se compararmos ao custo da graduação, os valores são até modestos. Em cursos presenciais ou online, o valor total, geralmente, fica entre cinco e dez salários mínimos (divididos em suaves prestações mensais). Sendo que, ainda existe a possibilidade de se obter descontos promocionais, bolsas etc.”, defende o presidente do Coren-AC.

Já Regina faz ressalva nesse ponto. Ela diz que, normalmente, as especializações não são tão caras para os profissionais da área privada, mas podem pesar para os que atuam na área pública.

Zona de conforto

“A grande maioria já procura por um curso de especialização ao se formar na graduação em Enfermagem, porém, com o passar do tempo, percebe-se que o crescimento profissional, muitas vezes, depende de outros fatores, fazendo com que esses profissionais se acomodem em seus respectivos cargos”, lamenta Tatiana. O mercado de trabalho exige muito mais, seja um curso avançado de inglês e espanhol, conhecimento de sistemas e programas específicos, cursos de MBA, mestrado ou doutorado. “Esses são itens que, muitas vezes, os profissionais não têm possibilidade de realizar, o que acaba causando certa estagnação na carreira”, fala ela.

Peniche chama a atenção para o fato de que, na última década, por conta da abertura de incontáveis faculdades de Enfermagem pelo Brasil afora, o número de profissionais cresceu enormemente. Atualmente são, aproximadamente, 600 mil enfermeiros registrados. E, com esta explosão numérica, a idade média dos profissionais caiu dramaticamente. A maioria dos profissionais enfermeiros é jovem, e ainda tem muita sede de conhecimento e, obviamente, muitas oportunidades para trabalhar, portanto não há estagnação na carreira para esse público. “É fácil encontrar profissionais com poucos anos de formado com duas ou três pós-graduações em seu currículo”, comemora ele.

Para Dorisdaia, há uma exigência do mercado para uma atuação mais competente, pois a formação de graduação, mesmo ampla, não tem garantido a qualidade para atuação em todas as áreas de atendimento das necessidades da população. “A meu ver, torna-se cada vez mais impossível o profissional ficar estagnado em sua zona de conforto, pois o mercado está cada vez mais competitivo e exige a formação de pós-graduação”, finaliza.

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