Saiba como ser um gerente de enfermagem e ganhar até r$ 25 mil

Integrando a estrutura hierárquica das instituições de saúde está o gerente de Enfermagem - profissional fundamental para a conexão da equipe multiprofissional e de apoio na manutenção da qualidade, organização e planejamento de processos assistenciais que impactam diretamente os pacientes, pois tem a visão geral de todo o processo assistencial e de apoio para prestação do cuidado (da admissão até a alta).

O fato é que essa é uma função muito bem remunerada, se comparada à grande maioria dos cargos de saúde, podendo chegar a R$ 25 mil, dependendo da instituição. Segundo o enfermeiro responsável pelo Centro Médico da Polícia Militar (CMED), Daniel Inacio da Silva, lamentavelmente, não existe um padrão nacional de piso salarial para o gerente de Enfermagem. “O que existe é uma política de cargos e salários bem distinta entre as instituições, sejam públicas ou privadas, mas, em geral, o salário corresponde a 100%, 150% e até mais de 200% do salário de um enfermeiro assistencial”.

Neste caso, o salário de um enfermeiro parte de R$ 5.149,04 podendo chegar a R$ 16.576,69, com uma média de R$ 7.252,17 para uma jornada de 41 horas semanais, conforme o Portal Salário (pesquisa de novembro de 2018).

O gerente de Enfermagem do Hospital Santa Catarina (SP), Euclydes Domingos, concorda com a média salarial dos enfermeiros apontada pela pesquisa, pois se baseia na sua vivência na instituição e também no mercado. “O salário médio dos enfermeiros no mercado gira entre R$ 6 mil e R$ 7 mil. Dependendo do cargo em que ele atua, o profissional pode receber até R$ 10 mil. Um gerente de Enfermagem pode ganhar acima de R$ 25 mil, dependendo da instituição”, ressalta.

Claro que isso não é a regra de mercado. “O enfermeiro que se dispõe a ser responsável Técnico, ou gerente de Enfermagem, deve estar ciente de que a remuneração para exercer essa função, via de regra, não trará grandes vantagens financeiras, visto que, normalmente, a sua carga horária é direcionada integralmente para essa função, e o mesmo não fará plantões assistenciais”, afirma o presidente do Conselho Regional de Enfermagem do Acre (Coren-AC), o enfermeiro Areski de Assis Peniche.

Ele ressalta que, obviamente, quanto maior a instituição e, consequentemente, a sua complexidade, maiores são as possibilidades de ganhos. Geralmente, o responsável Técnico (ou gerente de Enfermagem) recebe uma pequena gratificação para exercer a função.

Já o setor público tem suas particularidades e não há como estabelecer uma média salarial para a função: “Aqui temos o plano de cargos, carreira e salários, em que há análise de títulos pelo RH da Prefeitura e a avaliação com instrumento específico da chefia imediata a cada dois anos para elevação de nível”, lembra a enfermeira auditora em Saúde da Secretaria de Saúde de Maringá (PR), Danielle Benez Canassa Martins.

De acordo com a gerente de Enfermagem do Hospital Sírio-Libanês, Audry Elizabeth dos Santos, independentemente das possibilidades de ganho, em todas as unidades que têm um paciente, sempre terá um funcionário da enfermagem: “Nos hospitais a maior área de recursos humanos é da enfermagem. O gerente de Enfermagem é o maestro dessa grande orquestra, que é o cuidado aos pacientes. Para isso, todos têm que estar na mesma sintonia, cada um no seu padrão técnico específico e focado em um só resultado - atender às necessidades dos pacientes/clientes com foco centrado na pessoa e na família”.

A legislação

Peniche, entretanto, explica que a gerência, chefia, diretoria, coordenação de Enfermagem (ou qualquer outro nome que se dê) é uma função administrativa que faz parte do organograma da instituição de saúde. Na legislação de Enfermagem não existem tais nomenclaturas.

“O que se exige da instituição é a Anotação de Responsabilidade Técnica – ART, conforme estabelecido na Resolução Cofen 509/16. O papel do Enfermeiro Responsável Técnico também é estabelecido nesta mesma resolução, em seu art. 2º, inciso IV, que diz: (...) tem sob sua responsabilidade o planejamento, organização, direção, coordenação, execução e avaliação dos serviços de Enfermagem, a quem é concedida, pelo Conselho Regional de Enfermagem, a ART”. 

Ele diz que, fundamentalmente, trata-se de um gestor, que deve garantir o perfeito funcionamento dos serviços de enfermagem sob a sua responsabilidade, cumprindo e fazendo cumprir a legislação de enfermagem e trabalhista vigentes. E mais: deve observar o disposto no Art. 10 e incisos da Resolução Cofen 509/16.

Além disso, o presidente do Coren-AC ressalta que é possível existir um gerente de Enfermagem e um responsável Técnico na mesma instituição: “Normalmente o gerente de Enfermagem é também o enfermeiro responsável Técnico. Porém, existem situações em que, por interesse da gestão, essas funções são dissociadas. Nestes casos, o gerente de Enfermagem responde pelos atos administrativos à diretoria geral da instituição e o enfermeiro responsável Técnico responde diretamente ao Coren”.

Há outro aspecto a ser observado: um enfermeiro pode ser responsável Técnico de mais de uma instituição. A Resolução Cofen 509/16 estabelece em seu art. 4º, §1, o limite máximo de duas concessões de ART por enfermeiro.

Peniche lembra que a legislação da enfermagem não estabelece exigências para o exercício da função de Responsável Técnico. O que pode ser verificado na Resolução citada, em seu art. 2º, inciso IV, (...) profissional de Enfermagem de nível superior, nos termos da Lei nº 7.498, de 25 de junho de 1986 e do Decreto nº 94.406, de 08 de junho de 1987, que tem sob sua responsabilidade o planejamento, organização, direção, coordenação, execução e avaliação dos serviços de Enfermagem, (...)”.

Foco de atuação

Para Silva, o enfermeiro, mesmo desenvolvendo atividades e funções gerenciais, deve ter sempre como foco principal a prestação de serviço de cuidados de enfermagem com excelência em prol do paciente. Para se alcançar esse cuidado de excelência é necessário o desenvolvimento de estratégias gerenciais com uma equipe bem coordenada e engajada.

“O gerente deve estar consciente de que a equipe de enfermagem constitui-se a maioria dos profissionais de uma instituição, por isso ele deve desenvolver habilidades e competências para administrar toda a equipe, realizar atividades coordenadas e uniformes fundamentadas nas Ciências do Cuidado, traduzidas em Procedimentos de Cuidados Padrão”, lembra Silva.

Audry, do Sírio-Libanês, ressalta que o gerente de Enfermagem faz a interface com os diversos profissionais e relaciona-se com os clientes pacientes representando o serviço. Ele prevê insumos para a prestação de cuidados; faz o dimensionamento de pessoas para garantir a cobertura de todos os horários que a equipe atua; organiza e planeja ações de melhorias e de boas práticas baseadas em evidências, sejam técnicas ou de processos da assistência; e é responsável por monitorar, inovar e traçar melhorias de resultados da assistência aos pacientes clientes por meio de indicadores de processos, resultados ou ouvidorias.

“Resumindo: a principal função de um gerente de Enfermagem é prover recursos nas 24 horas do dia, nos 365 dias do ano para garantir a qualidade dos serviços e a segurança aos pacientes que estão passando dentro da instituição”, fala Domingos. Ele complementa, dizendo que é fundamental basear-se em estudos para prever o quadro adequado de sua equipe e a demanda do hospital diariamente, desde o pronto-socorro até o centro cirúrgico.

Na área pública, Danielle elenca algumas atribuições do gerente, como:

  1. a) favorecer o planejamento ascendente para a construção e manutenção do Plano Municipal de Saúde, pactuando prioridades, estratégias e metas para organização da Atenção Básica/Primária;
  2. b) garantir os insumos necessários para a assistência à saúde com atendimento humanizado;
  3. c) estimular e promover a qualificação (educação permanente e continuada) da equipe de enfermagem;
  4. d) realizar educação permanente e atualização dos protocolos do Ministério da Saúde/ Secretaria de Saúde do Estado e Município;
  5. e) realizar e monitorar a alimentação dos Sistemas de Informação da Atenção Primária; Básica, realizando análise da produção do setor e individual;
  6. f) conhecer e avaliar as reclamações e sugestões feitas pelos servidores e usuários do sistema.

Recursos Humanos

No Sírio-Libanês o gerente e a coordenação de Enfermagem realizam o dimensionamento de pessoas das suas equipes (descrito nas funções pelo Coren). O processo de seleção é feito em parceria com a área de RH, com inclusão de prova teórica técnica construída por profissionais de enfermagem.  As entrevistas e dinâmicas em grupo são realizadas em conjunto com coordenadores e gerentes e profissionais da seleção. “O treinamento e desenvolvimento dos profissionais são realizados por um grupo de enfermeiros que designamos de Desenvolvimento de Enfermagem (capacitações no processo de admissão e treinamentos periódicos). A supervisão dos cuidados prestados é de responsabilidade dos coordenadores e dos enfermeiros com sua equipe de técnicos de enfermagem”, relata Audry.

Segundo Domingos, manter a adequação da equipe é fundamental. No Hospital Santa Catarina há dois gerentes de Enfermagem que coordenam um quadro de 940 colaboradores de enfermagem, entre enfermeiros, técnicos e auxiliares.

No Hospital da Policia Militar, Silva conta que considerando as complexidades patológicas dos pacientes, pode-se realizar o dimensionamento de pessoal da enfermagem com base na Resolução Cofen 543/17: “É preciso delegar aos supervisores de Enfermagem o acompanhamento dos recém-contratados, atualizar as técnicas e práticas com educação continuada constante, realizar avaliação de desempenho trimestral, elencando os pontos positivos do colaborador e pontuando os que precisam ser melhorados. Nenhuma contração pode acontecer sem uma entrevista do candidato com o gerente de Enfermagem”.

Em termos de infraestrutura, Danielle conta que, dentro da política nacional de humanização e de acordo com a normatização da Anvisa, a estrutura física da ambiência deve atender às resoluções e recomendações vigentes, tanto na dimensão de cada sala quanto no momento de prover com mobiliários e equipamentos. “É atribuição do enfermeiro gerente ter conhecimento para planejamento e organização das salas”, diz.

A área de insumos também é de responsabilidade do enfermeiro gerente, ou seja, o controle de estoque de cada sala de procedimento, fazendo levantamento mensal de estoque e insumos utilizados (relatórios de entrada/saída e data de vencimento) para evitar que materiais percam a validade do produto e do período de esterilização, bem como não faltem no estoque prejudicando a assistência à saúde.

Como chegar lá

Segundo Audry, para conquistar o cargo de gerente de Enfermagem é desejável ter especialização em área assistencial na qual atua. Por exemplo: na área hospitalar, vale fazer uma pós-graduação em área assistencial; na atenção primaria, pós-graduação em estratégia da saúde da família. “Consideramos, no nosso hospital, obrigatória a pós-graduação em Gestão em Saúde, Administração Hospitalar ou MBA profissional. Mestrado e Doutorado Acadêmico são desejáveis”.   

Segundo Silva, há, atualmente, várias universidades ofertando cursos lato sensus de Gerenciamento de Enfermagem, mas muitos outros capacitam e habilitam o enfermeiro a desempenhar tal função, como os de Administração Hospitalar e Gestão Hospitalar. Entretanto, isso também depende da área em que o profissional atua, como um gerente em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) que poderá ser especialista em Saúde da Família ou Ciências da Saúde.

Domingos trilhou um caminho que ele considerou assertivo na sua carreira, e que o fez atingir o cargo de gerente de Enfermagem no Hospital Santa Catarina. Ele foi enfermeiro, supervisor, coordenador e chegou à gerência há sete anos. Para isso, fez duas pós-graduações e um MBA.

Ele aconselha a quem quer galgar essa carreira: passar por várias áreas para adquirir conhecimentos assisteniais. “Faça pós-graduações específicas e finalize com uma formação em gestão hospitalar. É fundamental entender da gestão hospitalar porque o corpo de enfermagem representa entre em 45% a 51% do quadro de funcionários nos hospitais. O gerente deve entender, entre outras coisas, como a força de trabalho dele vai contribuir para a sustentabilidade da instituição em que ele trabalha”, finaliza Domingos.

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