Assistência clínica em pacientes que necessitam de cuidados intensivos

O cuidado que o profissional de enfermagem possui no trato com os mais diversos pacientes compõe as ações inerentes à profissão, resultado, primordialmente, da capacitação técnica e científica dele, mas que também está baseado conhecimento empírico, pessoal, ético e estético desse profissional que trabalha para promover a saúde humana - direito básico de todos.

As organizações hospitalares vêm ganhando destaque pela assistência a pacientes em situações de saúde cada vez mais delicadas e que precisam de resultados individuais e complexos. As Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs) possibilitaram mudanças no tempo de permanência do paciente nos hospitais, assim como melhorias no nível de atenção e com a demanda de cuidados.

A relação é proporcional e objetiva. Com mais recursos terapêuticos e tecnológicos à disposição dos enfermeiros em cuidados intensivos, os pacientes tornaram-se mais graves e complexos, o que exige mais enfermeiros e, principalmente, profissionais mais qualificados.

Pacientes que necessitam de cuidados intensivos demandam maior esforço físico de enfermeiros por conta da dependência e gravidade clínica que se apresentam. A humanização da assistência intensiva pede por profissionais que, além da técnica, ofereçam suporte emocional para o paciente e também aos seus familiares.

“Além da dependência física para locomoção, e seu autocuidado, podemos dizer que os pacientes precisam mais de jeito e cuidados especializados do que da força física. Os profissionais de UTIs já têm trabalhado bastante pela humanização dentro desses setores, tentando hoje prestar apoio emocional ao paciente e sua família, visando a uma mudança na postura dos profissionais”, diz a enfermeira que atua no segmento de terapia intensiva em hospital paraense, Jacione Moreira.

Segundo o enfermeiro pós-graduado em Centro Cirúrgico e Centro de Material Esterilizado, Gabriel Diniz, o profissional de enfermagem envolvido com cuidados intensivos precisa ter e ser um suporte emocional forte, precisa saber lidar com perdas e também saber conversar com visitantes.

“Na UTI não ficam acompanhantes, então, o visitante vai ali uma vez por turno ou uma vez por dia, e nós temos que saber conversar, saber quais informações certas passar. Há informações que só o médico passa, como quadro clínico. A enfermagem pode estar servindo de ombro amigo, de escuta, sem comprometer, é claro, as informações sigilosas”, comenta Diniz.

A enfermagem é a chave fundamental para qualquer tipo de cuidado, porque ela está em contato direto e indireto com o paciente, ou seja, ela tem profissionais que ficam à disposição 24 horas por dia. “O profissional de enfermagem fica responsável por passar informações para os médicos, fisioterapeutas, assistentes sociais... claro que cada um deles faz a sua avaliação, mas o enfermeiro acaba sendo um elo entre o paciente e os demais componentes da equipe”, fala Diniz.

Cuidar e gerenciar

Dois processos podem ser considerados como as principais características do cotidiano do profissional de enfermagem, o processo de cuidar e o de gerenciar. O primeiro é representado pelo ato de observar, pelo levantamento de dados, pelo planejamento, implementação, evolução, avaliação e interação entre pacientes e profissionais da enfermagem e claro, demais profissionais da área da saúde.

Já o de gerenciar relaciona-se com o ato de organizar a assistência e proporcionar a qualificação do pessoal de enfermagem por meio da educação continuada, apropriando-se, para isso, de modelos e métodos de administração, da força de trabalho da enfermagem e dos equipamentos e materiais permanentes.

Ao cuidar de pacientes internados em UTIs, os enfermeiros lidam, a todo instante, com o binômio vida/morte e, por conta das características tecnológicas e científicas desse local, torna-se imprescindível priorizar procedimentos técnicos de alta complexidade, essenciais para manter a vida desses pacientes.

A enfermeira Jacione comemora o auxílio cada vez maior de tecnologias na rotina da enfermagem. “As novas tecnologias vêm como uma contribuição para o trabalho da enfermagem dentro da UTI, pois, por meio delas podemos melhorar a assistência aos pacientes. Esse auxílio tecnológico é uma área que vem crescendo e se aprimorando. Nós percebemos que em congressos, por exemplo, os minicursos já são voltados para essa área de atualização dos profissionais no manejo dos novos recursos tecnológicos que podem ser manipulados pela equipe”, revela.

“O perfil do profissional de enfermagem frente às tecnologias vem mudando por meio da educação continuada. A empresa tem que oferecer suporte para o profissional trabalhar. Ela não podem simplesmente exigir sem oferecer competências a esse usuário, como um treinamento para ele aprender a manusear uma nova máquina, para ele se habilitar em tal procedimento, em punção venosa”, ressalta Diniz.

Ele complementa, dizendo que o enfermeiro vem se adaptando, claro, porque a tecnologia na maioria das vezes surge para auxiliar e ajudar o paciente. E esse profissional não pode perder o lado da humanização, de olhar com os olhos de humanização para o paciente e perceber se ele está sentindo dor, avaliar essa dor e oferecer terapia medicamentosa.

Cuidados de qualidade

Diniz reitera que a enfermagem assiste ao paciente oferecendo cuidados de qualidade e que, por meio de aperfeiçoamento profissional se realiza com eficiência procedimentos que exigem prática e técnica corretas. Na UTI, onde os pacientes estão com aquele perfil mais desgastado, mais acometido por doenças, quadro clínico mais debilitado, comorbidades, eles necessitam de uma enfermagem qualificada.

“Nós passamos sonda, coletamos exames de gasometria, fazemos a monitorização do paciente, aspiração das vias aéreas, medição da pressão arterial média, da pressão venosa central, enfim, são essas as atribuições de UTI, fora as gerais, que são fazer curativos, drenagem de conteúdo, preparar o paciente para cirurgias, fazer balanço hídrico etc.”, descreve o enfermeiro.

“Além do treinamento para uso das tecnologias e a prestação de um cuidado holístico, é necessário que os profissionais tenham conhecimento de exames laboratoriais e de imagem visando, assim, perceber qualquer tipo de alteração, dessa forma evitando o agravamento do quadro clínico de cada paciente”, evidencia Jacione.

Já Diniz destaca que o enfermeiro necessita ter uma atenção direta não só com o paciente, mas com o ambiente. A UTI tem que ser um ambiente calmo e silencioso e é preciso saber ouvir os equipamentos para aprender a identificar alterações de sonoridade deles que indicam alguma alteração no quadro do paciente.

O enfermeiro paraense chama a atenção para o comprometimento do profissional com sua equipe. “Com relação ao trabalho físico, é muito esforço, por isso a equipe de UTI tem que se ajudar, tem que ter um comprometimento e senso de equipe, como, por exemplo, no manejo do paciente na hora do banho, troca de fraldas, troca de lençóis, pacientes em contenção. É preciso haver um cuidado e um trabalho em equipe”, fala Diniz.

Necessidade de especialização

Para trabalhar em UTI, dependendo do perfil do hospital, o profissional tem que estar registrado no Conselho de Enfermagem. Alguns hospitais não exigem especialização, como, por exemplo, no hospital onde Diniz trabalha, que é de pequena e média complexidades. Embora seja desejável, não é fundamental ter especialização em UTI, mas o profissional que tem o objetivo de trabalhar em UTI precisa se capacitar para isso.

A especialização em UTI vem justamente para habilitar os profissionais para realizar procedimentos. “Na graduação a gente vê, de modo teórico, mais básico. Já a pós-graduação vem para especializar aquele profissional em determinados procedimentos. Então é muito importante que quem queira trabalhar em UTI esteja realizando uma pós-graduação na área”, atesta Diniz.

Algumas dificuldades

Para Jacione, a principal dificuldade do profissional de UTI é ter de lidar com a morte de pacientes e noticiar o óbito aos familiares. “A melhor forma de superar os desafios é por meio do aperfeiçoamento à assistência prestada aos pacientes, por cursos e treinamento que visam contribuir para a melhoria do quadro clínico dos pacientes”, conclui.

Já para Diniz, as maiores dificuldades nesse cenário de UTI geralmente são as condições de trabalho oferecidas pelas empresas, sobrecarga de trabalho devido à grande quantidade de horas de plantão que esse profissional enfrenta, além das intercorrências. “Existe um esforço físico e emocional desse profissional. É um trabalho para quem gosta e quer se dedicar a realizá-lo”, finaliza.

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