Farmacologia aplicada ao atendimento do paciente crítico e em situações de emergência e urgência

A preparação e administração de medicamentos é um exercício rotineiro do enfermeiro, sendo, inclusive, considerado como uma de suas maiores responsabilidades. Qualquer falha, seja no preparo ou na administração de fármacos, pode acarretar consequências fatais ao paciente. É fundamental que a equipe de enfermagem observe e avalie cuidadosamente o paciente quanto a prováveis incompatibilidades farmacológicas, reações indesejadas e mesmo interações medicamentosas. Todo cuidado é pouco para minimizar riscos ao paciente.

Esse cuidado ganha dimensões ainda maiores no que diz respeito ao setor de urgência e emergência dos hospitais, área propícia para eventos indesejáveis, resultado de alta rotatividade, alta demanda de pacientes com graus diversos de gravidade, deficiência de recursos humanos, sejam quantitativos ou qualitativos, sobrecarga de trabalho e, claro, estresse profissional e ambiental.

Nas unidades de urgência e emergência, as intervenções medicamentosas e administração de drogas com alto poder de ação é uma constante, já que são aliados significativos para a evolução positiva da saúde dos pacientes. Os profissionais de enfermagem necessitam de conhecimento teórico e prático variado, consistente e profundo, junto de senso ético para compor uma atuação cuidadosa.

Enfermeiros necessitam de conhecimento e técnica

“A administração de medicamentos é uma atribuição do enfermeiro e da equipe de enfermagem que ele lidera. É uma das maiores responsabilidades do exercício profissional da enfermagem, principalmente porque é legalmente reconhecida como competência técnica. Também é competência do enfermeiro planejar a ação de administração das drogas aos doentes que estão sob os seus cuidados”, conta a enfermeira atuante em Estratégia de Saúde da Família, no Pará, Ana Flávia Ribeiro.

O planejamento da administração de medicamentos vai além de se conhecer as ciências básicas. É preciso também conhecer técnicas de administração de medicamentos pelas diferentes vias. “É preciso orientar, supervisionar as pessoas que auxiliam o enfermeiro, bem como possuir também a visão de interpretar o plano terapêutico, preparar o paciente, observar os efeitos terapêuticos e também as possíveis reações iatrogênicas, as reações adversas que as drogas podem causar”, explica Ana Flávia.

Sobre a administração de fármacos, a enfermeira, mestre em farmacologia e professora do Centro Universitário Unifametro, no Ceará, Naracélia Teles, reafirma que para praticar esse ato o enfermeiro deve trazer à tona todos os conhecimentos da farmacologia para esse processo, que abrange desde a interpretação da prescrição, compreensão do preparo do medicamento e as formas de administração, as interações medicamentosas até reconhecer os efeitos nocivos ou adversos que uma droga pode causar em um indivíduo.

É o enfermeiro quem manipula e administra as drogas utilizadas em situações de emergência e também observa as respostas hemodinâmicas dos pacientes submetidos a esta terapia. “Dessa forma, é essencial o conhecimento, pelo enfermeiro, dos aspectos dessas drogas no organismo, isto é, o enfermeiro deve ter conhecimento nas áreas da farmacocinética e farmacodinâmica, além de saber reconhecer os efeitos adversos”, salienta Naracélia.

De acordo com ela, o conhecimento dos aspectos farmacológicos de uma droga no organismo humano é essencial para que se evite iatrogenias, ou seja, reações adversas, complicações, caso sejam utilizadas de forma inadequada. Os critérios de indicação e uso dessas drogas devem ser rigorosos e as doses administradas de acordo com a resposta clínica do paciente, além de manter uma monitorização contínua e avaliação quanto à oferta de oxigênio nos tecidos e do débito cardíaco.

Protocolo de atuação e metodologia assistencial

A administração de medicamentos é um trabalho muito complexo. É por isso que recai a responsabilidade sobre a equipe de enfermagem, principalmente sobre o enfermeiro. É necessário muito mais que recursos humanos e materiais, é preciso estar atento. É por isso que existe o Protocolo de Segurança na Prescrição, Uso e Administração de Medicamentos, coordenado pelo Ministério da Saúde e pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que tem como objetivo promover práticas seguras no uso e administração de medicamentos em todos os estabelecimentos de saúde, segundo Ana Flávia.

A enfermeira esclarece ainda que esse protocolo também contribui para a prestação de uma assistência individualizada e metodológica, uma metodologia assistencial. “A enfermagem trabalha por meio de uma metodologia assistencial, que gera uma assistência integrada e segura, no caso, é a sistematização da assistência de enfermagem. É por meio dessa sistematização que nós prescrevemos os nossos cuidados, levantamos os possíveis resultados esperados, planejamos nossa ação e depois vemos o que deu certo, deu errado e o que pode melhorar”, diz Ana Flávia.

Na urgência e emergência, é possível administrar a medicação quando o paciente está em parada cardiorrespiratória e também quando o médico não está presente naquele momento.

No caso, o enfermeiro pode fazer a estabilização do paciente por meio da medicação, e é justamente por conta disso que é de extrema importância o conhecimento adquirido pelo profissional da saúde no geral, principalmente o enfermeiro, que é aquele que está diariamente com o paciente. “É preciso que esse profissional conheça os efeitos das drogas vasoativas e da adrenalina também, que são as drogas bastante utilizadas nessas situações de pacientes críticos e de urgência e emergência”, destaca Ana Flávia.

Ações rápidas para garantir a vida dos pacientes

Nos últimos anos tem havido um crescimento no número de pacientes vítimas de doenças cardiovasculares e acidentes terrestres. Essas patologias levam, principalmente, a um inadequado fluxo sanguíneo, acarretando um desequilíbrio na relação oferta/consumo de oxigênio. “Portanto, as drogas vasoativas são as mais utilizadas em situações de urgência e emergência com a finalidade de manter a homeostase sanguínea, evitando assim que os pacientes evoluam para disfunção de múltiplos órgãos, que é a principal causa de mortalidade e um grande desafio para os enfermeiros e a equipe multidisciplinar que prestam o atendimento desses pacientes”, destaca Naracélia.

“A farmacologia pode ser direcionada para diversos caminhos, porém na urgência ela tem uma importância significativa, pois é por meio dela que iremos reverter o quadro clínico do paciente. Um exemplo é quando o paciente chega ao hospital com um princípio de infarto. Nessa hora a medicação é de suma importância”, fala o enfermeiro especialista em Urgência e Emergência, Alex Júnior Farias.

Em situações de urgência e emergência, a enfermagem é componente substancial da farmacologia. A enfermagem é uma peça primordial, pois nesta ocasião é ela a responsável em direcionar o cuidado. “Quem prescreve é o médico, entretanto somos nós que planejamos como será executado o cuidado para não acarretar danos ao paciente e, assim, podermos alcançar o objetivo esperado”, relata Farias.

O Protocolo de Segurança na Prescrição, Uso e Administração de Medicamentos apresenta as ações de intervenção e que muito contribuem para que o enfermeiro identifique os pontos críticos dessa atividade e entenda como agir para superar desafios.

Os nove certos

O enfermeiro tem de ser um profissional que se comunica, que trabalha em equipe, que tem criatividade para agir, conduzir uma situação e utilizar determinado material. “Se você não tem o que você quer, mas tem outro material que pode substituir aquele... isso é criatividade. É a questão do método e do conhecimento científico mesmo. É justamente por isso que existem os nove certos, que nos ajudam a ter uma visão geral daquilo que estamos fazendo, a visão do ponto crítico, a visão do que devemos fazer para superar os desafios”, ressalta Ana Flávia.

Os nove certos da administração de medicamentos sobre os quais Ana Flávia se refere são utilizados para acautelar os profissionais sobre princípios que podem suscitar os erros de medicação. Esses itens têm de ser sistematicamente verificados a cada administração medicamentosa: medicação certa, paciente certo, dose certa, via certa, horário certo, registro certo, ação certa, forma farmacêutica certa e monitoramento certo.

Há pacientes com nomes parecidos, medicamentos com nomes parecidos, pacientes que estão tomando a mesma medicação, porém em doses diferentes. “Nós precisamos identificar a via certa, porque pode ser que eu precise administrar uma medicação na veia do paciente, ou pode ser via oral. A hora certa pode ser de 8 em 8 horas ou de 12 em 12 horas. A dose certa, pois eu não posso dar a mais nem a menos para o paciente. Registrar tudo isso de forma correta. O registro é importantíssimo. Na faculdade os professores batem muito nessa tecla, porque o registro respalda não só o profissional, como também o paciente. É um registro daquilo que estamos fazendo”, atesta Ana Flávia.

Contrariedades

Entre os desafios da rotina, Farias aponta os estresses, tanto gerados pelo meio ao profissional, quanto do paciente que chega nervoso para o socorro. “Talvez uma das nossas maiores dificuldades hoje seja a falta de estrutura, pois isto, de certa forma, afeta a qualidade do atendimento. Na maioria das vezes o paciente já chega totalmente estressado, querendo resultados e você acaba não atingido as expectativas por conta deste fator. No geral sempre tentamos ser otimistas para sempre passar boas energias para aquele paciente que já está com o psicológico totalmente fragilizado. De certa forma, ele já está nos ajudando na dinâmica do cuidado, já que antes de cuidar da parte física devemos cuidar da parte psicológica”, esclarece.

Atenção às normas

É importante também, quando se fala em administração de medicamentos, que cada estabelecimento de saúde tenha as suas normas e rotinas, geralmente o Procedimento Operacional Padrão (POP). Nesses documentos devem estar contidos os procedimentos, técnicas assépticas e cuidados com a administração, prescrição e uso de medicamento.

O POP é um conjunto de instruções escritas que documentam uma rotina ou atividade repetitiva dentro de uma organização. Nele pode haver ações programáticas e técnicas como processos de análise, manutenção, calibração e utilização de equipamentos. Esses protocolos são específicos para cada organização ou área da qual descrevem. Se não forem escritos de maneira correta, seu uso se torna limitado. Até mesmo o documento mais bem escrito falha se não for seguido. Os POPs podem conter instruções, fluxogramas, fotos, possíveis ações corretivas e devem ser revistos periodicamente.

Tags: Urgência e Emergência, Farmacologia , Administração de Medicamentos

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