Semiologia e fisiopatologia clínica aplicada á enfermagem

É fundamental que o enfermeiro desenvolva, constantemente, sua capacidade de raciocínio clínico - habilidade essencial para que seu trabalho ocorra de forma segura e eficaz. Essa habilidade de usar a informação para obter conhecimento e tomar decisões deve acompanhar o profissional de enfermagem em todos os momentos de sua atuação.

É por meio das funções mentais de conceber, julgar e raciocinar que o enfermeiro tem de metodizar seu processo de pensamento. É assim que ocorre o processo de raciocínio clínico, que acompanhará o profissional em toda metodologia de enfermagem.

A construção do trabalho é pragmática. Primeiro o enfermeiro necessita reconhecer indícios sobre o que está investigando acerca de determinado paciente; em seguida é preciso diferenciar uma situação de outra semelhante, e, então, ele deve finalizar seu pensamento a partir de dois ou mais juízos, previamente conhecidos – aqui se faz o raciocínio.

É do enfermeiro, portanto, a responsabilidade de interpretar respostas humanas de modo preciso para eleger quais intervenções fazer uso, para então se chegar à fase de avalição de resultados.

Essa capacidade de raciocínio clínico se conhece em enfermagem por semiologia, que é o ato de investigar e estudar sinais e sintomas apresentados pelo paciente, à luz, dos conceitos da profissão. A semiologia é base para se formular um diagnóstico clínico. Ela capacita o enfermeiro para melhor examinar o paciente e, munido de métodos e técnicas, ele buscará descobrir os sinais e sintomas, fazer a interpretação adequada, avaliar com precisão e eficácia do diagnóstico e, assim, propiciar total apoio para a melhoria da saúde desse paciente.

“A semiologia estuda os signos, os sinais, os sintomas do paciente, e isso nos ajuda a ter uma avaliação sistematizada, racional, para que realizemos uma boa consulta de enfermagem”, diz a enfermeira especialista em Urgência e Emergência, que trabalha no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), no município de Grajaú, no Maranhão, Maria Juliana Cortez.

A semiologia é o meio ou o modo de examinar um doente, especificamente os sinais e sintomas, a propedêutica e a sintomatologia. “Existe, também, a fisiopatologia, que é o estudo das funções patológicas do nosso organismo. Enquanto a fisiologia estuda o funcionamento normal do corpo, a fisiopatologia se propõe a estudar o funcionamento anormal das funções do organismo”, complementa a enfermeira atuante em Estratégia de Saúde da Família, no Pará, Ana Flávia Ribeiro.

Do raciocínio clínico ao diagnóstico

A construção do raciocínio clínico inclui a realização do exame clínico, composto de anamnese e exame físico. A anamnese é uma entrevista que o enfermeiro realiza com o paciente para poder formar o raciocínio clínico. Uma boa anamnese ocorre quando se sabe ouvir. É preciso dar tempo para que o paciente responda às perguntas, sem pressioná-lo. A anamnese tradicional é composta por sete itens: Identificação; Queixa Principal (QP); História da Moléstia Atual (HMA); Revisão de Sistemas; História Patológica Pregressa; História Familiar, e História Social/Hábitos de Vida.

Os recursos básicos para o exame físico são a inspeção, a palpação, a percussão e a ausculta que, na maioria das vezes, seguem esta ordem e podem ser complementados por tecnologias que apurem melhor os resultados. O enfermeiro precisa se valer de conhecimentos científicos em anatomia, fisiologia, fisiopatologia, diagnóstico por imagem, análises laboratoriais, patologia clínica e da semiologia. Sem eles não se detectará plenamente os problemas que precisam de intervenção.

“A anamnese é fundamental, pois, nesse momento é quando nós vamos conhecer a história desse paciente, desde o nome, a idade, o sexo, a profissão, que às vezes está ligada àquele sinal, com aquele sintoma que ele vem apresentando. A história atual daquela doença, a queixa principal, o que levou esse paciente a procurar a instituição de saúde, em procurar um profissional. A história pregressa, história familiar, os hábitos”, explica Maria.

Ela acrescenta que a anamnese é fundamental, porque possibilita conhecer o paciente, o quadro dele e, com ela, se estará juntando aos sinais e sintomas que, às vezes, são visíveis na inspeção e são confirmados na palpação. A função do enfermeiro não é diagnosticar a doença em si, mas diagnosticar problemas relacionados àquela doença que já foi identificada por um outro profissional, que no caso é o médico”, ressalta Maria.

Segundo Ana Flávia, a anamnese é uma atividade de extrema importância, justamente porque é por meio dela que se faz a coleta de dados, que se investiga melhor o que está acontecendo com o paciente. Junto da anamnese é realizado também o exame físico, quando os enfermeiros investigam os padrões funcionais de saúde do paciente, que são as necessidades humanas básicas, como alimentação, sono/repouso e as funções fisiológicas.

Passo a passo

“Nós examinamos o paciente no sentido céfalo-podálico, ou seja, da cabeça aos pés, para verificar algum sinal, algum sintoma que possa nos ajudar a tratar, a cuidar do paciente. Na anamnese a gente identifica o paciente e os antecedentes familiares para saber as doenças que há na família, antecedentes pessoais, em que investigamos o que a pessoa já teve, se já fez cirurgias, se teve alguma doença, além de verificarmos os sinais vitais”, explica Maria.

Há os métodos propedêuticos, o passo a passo que é utilizado e que auxilia no exame físico, como a inspeção, uma observação atenta, em que se averigua a superfície do corpo do paciente; as cavidades acessíveis, nariz, boca, ouvido; além do aspecto, cor, forma, tamanho e movimento da superfície do corpo; e a coloração da pele e mucosas. “É sempre necessário estar em um ambiente iluminado para fazer essa inspeção. Depois nós temos a palpação, que é quando precisamos das nossas mãos, vamos estar palpando a sensibilidade, a temperatura, a consistência, o tamanho, a situação e o movimento da região específica. A partir daí, executamos a ausculta, que é a avaliação dos sons que o organismo produz e utilizamos um instrumento próprio, que é o estetoscópio”, descreve Ana Flávia.

Os sons que geralmente são obtidos nessas auscultas são os audíveis do pulmão, do coração, do intestino e do sangue nos vasos. Os enfermeiros realizam, posteriormente, a percussão, que nada mais é que golpes aplicados em determinada superfície do corpo do paciente, como, por exemplo, o abdômen. Esses golpes provocam vibrações e apresentam um timbre, uma intensidade e uma tonalidade próprios. “Com essa percussão obtemos ruídos que podem ser um som maciço ou um som timpânico, geralmente um som timpânico. Nós colocamos os dedos diretamente sobre a superfície da pele ou a ponta dos dedos. Esses são os passos propedêuticos”, diz Ana Flávia.

Atenção cuidadosa e trabalho em equipe

“Acredito que os aspectos mais importantes com relação à atenção aos sinais e sintomas apresentados pelo paciente se inicia desde a entrada dele no consultório para começar uma consulta de enfermagem, por exemplo. Ali o profissional já vai utilizando as técnicas da semiologia, que seriam observação, ou seja, a inspeção. Nesse momento é possível visualizar alguns sinais aparentes”, descreve Maria.

Após um momento de conversa com o paciente, em que o profissional faz a anamnese, já é possível incentivá-lo a contar o que ele realmente sente, coisas que não são, na maioria das vezes, visíveis. São sinais e respostas subjetivas. Então, segundo Maria, isso é o aspecto mais importante, quando o enfermeiro dá essa atenção ao paciente para constituir e configurar, realmente, esse exame clínico, que se subdivide em anamnese e exame físico.

É necessário sempre ter atenção ao observar sinais e sintomas e não deixar que eles passem despercebidos. A comunicação entre a equipe de trabalho multiprofissional também é fundamental para o enfermeiro, já que é ele que lida diariamente com o paciente.

“O enfermeiro também precisa do outro profissional para ajudá-lo, principalmente porque nós utilizamos o diagnóstico de enfermagem, que é uma forma de prescrever cuidados, contudo, o diagnóstico da doença e as medicações é o médico quem faz. O enfermeiro é peça indispensável, principalmente, por estar diariamente no leito do paciente. A comunicação, o trabalho multiprofissional e em equipe é um aspecto bastante relevante”, conta Ana Flávia.

Ela destaca que, outros elementos identificados no exame físico, como edemas, odores corporais, partes ressecadas do corpo, são pontos complementares para o diagnóstico do paciente. É necessário ter atenção a eles. Edemas podem indicar retenção de líquidos; odores corporais podem indicar alguma ferida, algum agravo; partes ressecadas podem indicar desidratação da pele.

Desafios

Para Ana Flávia, os principais desafios da profissão surgem da questão da comunicação, do estreitamento de laços com o paciente e com a família dele. É primordial que o enfermeiro tenha essa sensibilidade durante aproximação que, por vezes, chega a ser demorada, dependendo do doente e da família. Essa comunicação não só com o paciente, mas também com a equipe são desafios enfrentados rotineiramente. Além disso, há a questão de materiais e de medicação que nem sempre estão disponíveis.

Algo difícil, mas não impossível de ser realizado, é a questão da liderança de equipe de enfermagem. De acordo com Ana Flávia, existe uma grande diferença entre ser líder e ser chefe. “Quando se é líder, você conquista a confiança de sua equipe. Aí você vai conseguir trabalhar da melhor forma possível. Se você é chefe, se quer só mandar, mas não conquista a confiança das pessoas que estão ao seu redor, o trabalho se torna mais difícil, porque você vai ter inimigos e não uma equipe”, defende ela.

Para lidar com os desafios e como uma forma de superá-los, é necessário sempre manter a calma diante das situações, ser proativo, tentar conversar e resolver tudo da melhor maneira possível. “Nós precisamos manter a calma e acalmar o outro também. É justamente nisso que está o sentido de ser líder, porque quando se é líder e se tem a confiança das pessoas que estão ao seu redor - das pessoas que trabalham com você e dos seus pacientes - tudo é muito mais fácil de resolver”, finaliza Ana Flávia.

Tags: Urgência e Emergência, Farmacologia , Administração de Medicamentos

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