Enfermeiro cria aplicativo para surdos

Enfermeiro cria aplicativo para surdos

O enfermeiro e professor universitário de Belo Horizonte (MG) Éder Júlio Rocha de Almeida desenvolveu aplicativo gratuito para auxiliar deficientes auditivos a solicitar socorro. Duas empresas estão interessadas em investir na plataforma, que terá módulo para reconhecimento facial.

Éder de Almeida teve a ideia a partir da sua experiência com atendimentos de urgência e emergência e testemunhou a morte de um paciente. Era um idoso, cujo filho, deficiente auditivo, não conseguiu chamar pelo socorro a tempo de salvar o pai. Por não ouvir, teve dificuldades em pedir ajuda por telefone. E também não foi compreendido por vizinhos, segundo revelou o G1.

Passaram-se quatro anos até que o enfermeiro relembrou a situação ao definir o tema para sua dissertação de mestrado em tecnologia aplicada em saúde. O artigo foi publicado em uma revista científica internacional e está prestes a sair do papel. O aplicativo “Socorro com as mãos” é voltado para que pessoas surdas e mudas possam solicitar ajuda. “Alguns cliques podem salvar uma vida”. É a mensagem que se vê logo que o aplicativo é aberto. E é, justamente esta, a intenção do idealizador.

“Aquela morte do paciente marcou a minha vida. Se a pessoa sofre uma parada cardiorrespiratória, um AVC, não consegue acionar serviço de urgência, que é feito só por telefone, para acionar ambulância. Seja SUS, Samu e operadoras de plano de saúde. O aplicativo vem preencher esta lacuna”, salientou o enfermeiro ao G1.

Éder de Almeida é também professor universitário do curso de medicina da Faculdade Atenas de Sete Lagoas e de enfermagem na Unincor Betim, além de dar aulas na pós-graduação da Santa Casa BH. Ele contou que o aplicativo é autoexplicativo e pode ser usado por pessoas de todas as idades. Inclusive por quem não sabe ler, pois há ícones indicando as ocorrências, para que pessoas possam escolher e receber (ou solicitar, no caso de um acompanhante) um primeiro atendimento direcionado.

A coordenadora do mestrado de Tecnologias Aplicadas a Saúde da Faculdade Promove de Tecnologia, Rosângela Hyckson, foi a responsável por orientar Almeida e conversa com empresas interessadas em investir no aplicativo, que estar disponível em meados de julho nas plataformas Android e IOS.

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Depois de baixar o aplicativo no celular, o usuário precisará preencher um cadastro, com dados pessoais. Se o atendimento for pelo SUS, ele vai ser direcionado para a página relativa. Se for por convênio particular, a operadora deverá ser escolhida. “Só vai poder usar o aplicativo quem for surdo e mudo, para diminuir risco de trote. Aplicativo também vai ter um módulo de reconhecimento facial”, ressaltou Rosângela ao G1.

O usuário terá fazer também um cadastro de doenças pré-existentes. Devidamente habilitado, sempre que utilizar o aplicativo bastará clicar na opção correspondente ao socorro necessitado: parada cardíaca, arma de fogo, acidente automobilístico, afogamento, AVC, queda, dificuldade respiratória, atropelamento, animal peçonhento, entre outros.

Ao clicar, aparece um resumo descrevendo a opção escolhida e, logo em seguida, o sistema identificará o usuário, que vai escolher para onde a ambulância deve ir. O GPS indicará o local de partida para a ambulância. “O aplicativo emitirá um sinal visual, confirmando a chamada”, explicou Rosângela. Ele será disponibilizado sem custo para o interessado.

A ideia inicial era que o aplicativo fosse oferecido diretamente em pronto-atendimentos nas 23 cidades onde a Faculdade Promove tem unidade, mas a pandemia os obrigou a mudar os planos. A divulgação será digital, por meio de redes sociais, em vídeos curtos, que eles esperam que sejam compartilhados por amigos.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE), o Brasil tem cerca de 10 milhões de surdos, dos quais 2,7 milhões têm deficiência severa. Assim que concordar com os termos, a Sociedade Brasileira de Surdos vai gerar um código para validar o aplicativo “Socorro com as mãos”. O projeto teve a colaboração de Arthur Guimarães, acadêmico de enfermagem, e Rackel Raniere Durães Guerra, acadêmica de Engenharia de Produção.

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